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Pelópidas Silveira

  • Recife
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Published: November 21, 2023

Pelópidas Silveira: O Engenheiro e Político Visionário que Transformou o Recife e Marcou Pernambuco

 

Pelópidas Silveira emerge como uma figura central e multifacetada na história de Pernambuco, um engenheiro e político que deixou um legado indelével no urbanismo e na gestão pública do Recife. Sua trajetória, marcada pela inovação e resiliência, o posiciona como um dos mais importantes líderes pernambucanos. A profunda conexão entre sua identidade como engenheiro e sua atuação política é um dos pilares de seu impacto, sugerindo que suas transformações na cidade não foram acidentais, mas o resultado da aplicação deliberada de habilidades técnicas ao serviço público. Sua visão "humana e futurista" para a cidade 1 encapsula essa rara combinação de proficiência técnica e profunda preocupação social, elementos que definiram sua carreira e seu papel em momentos cruciais da história política brasileira do século XX.

 

1. Raízes Pernambucanas e a Formação de um Engenheiro Visionário

 

Pelópidas Silveira nasceu no Recife, em 15 de abril de 1915 1, em um período de profundas transformações no cenário político e social brasileiro. Sua formação acadêmica se deu na Escola de Engenharia de Pernambuco, onde se graduou em 1935.2 Após a graduação, iniciou sua carreira como assistente no setor de engenharia, um período inicial que se revelaria crucial para o desenvolvimento de sua expertise técnica. Essa base de conhecimento seria, mais tarde, aplicada de forma inovadora e prática na gestão pública, diferenciando-o de muitos de seus contemporâneos políticos.

Um de seus primeiros e notáveis feitos, que precede sua ascensão política, foi a participação ativa na criação do Instituto Tecnológico do Estado de Pernambuco (ITP) em 1943.2 A fundação de uma instituição dessa envergadura demonstra um compromisso precoce de Pelópidas com o desenvolvimento institucional e tecnológico de Pernambuco. Essa experiência, anterior aos seus papéis políticos de destaque, não apenas solidificou suas habilidades organizacionais, mas também aprofundou sua compreensão sobre a implementação de projetos de grande escala. Essa capacidade de pensar de forma sistêmica e de construir estruturas duradouras seria fundamental para suas futuras iniciativas de planejamento urbano como prefeito, evidenciando que seu foco no desenvolvimento do estado já se manifestava sob uma perspectiva técnica e educacional, lançando as bases para seus projetos de desenvolvimento mais visíveis e públicos como político.

 

2. A Ascensão Política e as Primeiras Intervenções Urbanas

 

A entrada de Pelópidas Silveira na vida política ativa ocorreu em um momento de efervescência nacional, com o fim do Estado Novo e o início do processo de redemocratização do país. Em fevereiro de 1946, ele foi nomeado prefeito do Recife pelo interventor estadual José Domingues da Silva, permanecendo no cargo por um breve período, até agosto do mesmo ano.2 Essa nomeação, em um contexto de transição política, ilustra a natureza ainda fluida da política brasileira pós-Estado Novo, onde as instituições democráticas estavam sendo restabelecidas, mas ainda carregavam legados de controle centralizado.

Apesar da curta duração, sua gestão foi notavelmente marcante e popular. Pelópidas "fez uma revolução no Recife" 4 ao concentrar-se em melhorias urbanas tangíveis e bem-estar social. Ele construiu praças, alargou ruas 2, e implementou medidas sociais de grande impacto, como o tabelamento do preço de pescados na Semana Santa 2 e a administração diária da coleta de lixo.4 Essas ações concretas e visíveis fizeram a população sentir que ele "cuidava da cidade".4 Além disso, ele estimulou a construção de casas populares e instituiu a semana inglesa para os comerciários, atendendo a uma antiga reivindicação da classe.5 A rapidez e a visibilidade dessas ações não eram apenas tarefas administrativas; elas eram declarações políticas que demonstravam uma capacidade de resposta que contrastava com o regime autoritário anterior, estabelecendo sua reputação como um administrador eficaz e atencioso, crucial para seu futuro sucesso eleitoral.

Em 1947, Pelópidas deu um passo adiante em sua carreira política, candidatando-se ao governo de Pernambuco pela Esquerda Democrática, partido que mais tarde se transformaria no Partido Socialista Brasileiro (PSB), contando com o apoio do Partido Comunista Brasileiro (PCB).2 Embora tenha obtido uma expressiva votação no Recife e em cidades vizinhas, demonstrando sua crescente popularidade, foi derrotado por Barbosa Lima Sobrinho.2 O notável desempenho no Recife e arredores, apesar da derrota geral, decorreu diretamente do impacto positivo de seu breve mandato como prefeito. A "revolução" que ele operou na capital ressoou diretamente com a população urbana, criando uma forte base de apoio que se traduziu em votos significativos, mesmo que não suficientes para vencer em todo o estado. Isso demonstra uma relação direta de causa e efeito: uma governança local eficaz construiu capital político regional. Após esta experiência eleitoral, Pelópidas retornou à sua área de formação, abrindo seu próprio escritório de engenharia em 1949, que operou até 1954, quando reingressou novamente na política.2

 

3. A Eleição Histórica de 1955: Democracia e Urbanismo em Ação

 

A eleição de 1955 marcou um divisor de águas na história política do Recife e na trajetória de Pelópidas Silveira. Ele se tornou o primeiro gestor municipal da capital pernambucana a ser eleito por voto direto.4 Até então, o Recife era considerado uma "zona estratégica de defesa nacional", o que impedia a escolha direta do prefeito, que era indicado pelo interventor estadual.4 Essa designação refletia um controle centralizado e autoritário sobre centros urbanos chave, um legado do Estado Novo. Esse cenário mudou graças a um projeto de lei do senador pernambucano Barros Carvalho, sancionado em janeiro de 1955 4, que abriu caminho para a democracia municipal. A aprovação dessa lei e a subsequente eleição direta representaram um triunfo significativo dos princípios democráticos e da autonomia local contra as tendências centralizadoras.

Sua candidatura em 1955 foi viabilizada pela "Frente do Recife", uma coligação que agrupava o PTB, o PSB e outras agremiações menores, contando com o apoio do Partido Comunista Brasileiro (PCB), que na época operava na semi-ilegalidade.2 Embora Pelópidas fosse descrito como um "socialista-democrata-liberal" 4, sua capacidade de concorrer "sem filiação partidária" 2 enquanto era apoiado por uma coalizão tão diversa, incluindo o PCB, destaca a natureza complexa e fluida das alianças políticas no Brasil pós-Estado Novo. Isso demonstrou sua habilidade em transcender linhas ideológicas rígidas para construir um movimento popular de base ampla, focado em melhorias urbanas concretas em vez de dogmas partidários estritos. Ele conseguiu angariar apoio de diversos setores, incluindo partes da Igreja Católica, sindicatos e associações de bairro 4, demonstrando sua notável capacidade de articulação e apelo popular.

Apesar do amplo apoio, Pelópidas enfrentou forte resistência do grupo mais conservador da Igreja Católica e teve sua candidatura impugnada sob a acusação de ser comunista.2 Contudo, o Tribunal Regional Eleitoral deferiu sua postulação por unanimidade em setembro de 1955 2, validando sua participação. Em 3 de outubro de 1955, Pelópidas Silveira venceu a disputa com uma vitória esmagadora, obtendo 81.499 votos (66,87%), o dobro da votação de seus rivais.4 Essa vitória esmagadora, apoiada por uma ampla "Frente do Recife" que incluía elementos progressistas e de esquerda, indicou um forte desejo popular por mudança e uma rejeição ao

establishment político tradicional. A eleição não foi apenas sobre uma pessoa, mas sobre uma mudança fundamental na forma como o poder era exercido e percebido na cidade, capacitando cidadãos e movimentos progressistas.

Seu segundo mandato como prefeito (1955-1959) foi verdadeiramente "transformador" 2, mesmo diante de uma forte oposição na Câmara de Vereadores (com apenas quatro vereadores de apoio contra dezenove de oposição) e do governador Cordeiro de Farias.2 Essa resiliência, apesar da resistência institucional, sugere que sua liderança e apoio popular foram fortes o suficiente para superar o impasse, possivelmente por meio do engajamento direto com a população. Entre suas principais realizações, destacam-se:

  • Obras Viárias e Urbanização: Foi responsável pela construção da Avenida Conde da Boa Vista, que conectou diversos bairros ao centro do Recife 1, e da Avenida Norte, que ligou o Porto do Recife ao bairro de Casa Amarela.2 Também priorizou a abertura da Avenida Dantas Barreto.1
  • Cultura e Lazer: Adquiriu o Teatro do Parque e o Sítio da Trindade, transformando este último em um logradouro histórico e espaço de uso público.2
  • Transporte Público: Implementou ônibus elétricos na cidade 2 e criou a Companhia de Transportes Urbanos (CTU) 5, modernizando o sistema de mobilidade urbana.
  • Participação Popular: Pelópidas foi um pioneiro na gestão participativa. Promoveu processos de "ausculta" à população 2, realizou audiências públicas 3 e incentivou a formação e o fortalecimento de associações de bairro.3 Ele utilizava o Teatro Santa Isabel para fazer reuniões com as camadas mais pobres da população, demonstrando um compromisso com a participação cidadã "antes mesmo de se falar em orçamento participativo".1 Suas iniciativas participativas provavelmente contornaram os canais políticos tradicionais, permitindo-lhe mobilizar o apoio público para seus projetos e, potencialmente, pressionar os oponentes.
  • Medidas Sociais: Continuou a assistência às populações da periferia, dos morros e alagados, e focou na higienização de feiras públicas 3, evidenciando uma preocupação constante com a qualidade de vida e a inclusão social.

A tabela a seguir resume seus mandatos como prefeito do Recife, destacando a evolução de sua liderança e o impacto de suas ações:

Tabela 1: Mandatos de Pelópidas Silveira na Prefeitura do Recife: Períodos e Realizações Chave

 

Período do Mandato

Tipo de Mandato

Destaques e Realizações Chave

Fev-Ago 1946

Nomeado por interventor

Tabelamento de preços de pescados, administração diária da coleta de lixo, construção de praças, alargamento de ruas, estímulo à construção de casas populares, instituição da semana inglesa para comerciários.

1955-1959

Eleito por voto direto (Primeira eleição popular para prefeito do Recife)

Construção da Avenida Conde da Boa Vista e Avenida Norte, aquisição do Teatro do Parque e Sítio da Trindade, implementação de ônibus elétricos e criação da CTU, promoção de audiências públicas e estímulo a associações de bairro, assistência a populações da periferia, higienização de feiras.

1963-1964

Eleito por voto direto

Foco na urbanização, abertura da Avenida Dantas Barreto. Mandato cassado pelo regime militar.

 

4. Entre Cargos e Desafios: Vice-Governadoria e o Terceiro Mandato

 

A carreira política de Pelópidas Silveira não se limitou à prefeitura do Recife, expandindo-se para o cenário estadual. Em 1958, ele foi indicado e eleito vice-governador na chapa de Cid Sampaio.2 No entanto, em um movimento político estratégico, ele se recusou a deixar imediatamente o cargo de prefeito do Recife. Sua decisão visava evitar que seu adversário político, Vieira de Menezes, assumisse a prefeitura.2 Essa manobra revelou uma profunda compreensão das dinâmicas políticas e um compromisso com a continuidade de sua visão progressista para o Recife. Ao garantir que Miguel Arraes, um aliado, o sucedesse, ele efetivamente estendeu sua influência e assegurou a permanência das políticas urbanas e sociais que havia implementado. Pelópidas só assumiu a vice-governadoria em novembro de 1959, após garantir a eleição de Miguel Arraes como seu sucessor na prefeitura.2 Durante a gestão de Cid Sampaio, Pelópidas assumiu algumas vezes o cargo de governador de forma interina 2, demonstrando sua capacidade de atuação em diferentes esferas do poder executivo estadual.

Com a vitória de seu aliado Miguel Arraes para o governo de Pernambuco em 1962, Pelópidas foi nomeado Secretário Estadual de Viação 1, um cargo que lhe permitiu continuar contribuindo para a infraestrutura do estado. Sua aliança com Arraes, uma figura proeminente da esquerda pernambucana, representava uma poderosa força regional para a mudança social e política. Em 1963, essa aliança o impulsionou novamente à prefeitura do Recife, sendo eleito para seu terceiro mandato, que iniciou em dezembro.1 Este mandato, embora breve, continuou a linha de suas gestões anteriores, com foco na urbanização e na melhoria da cidade, destacando-se a abertura da Avenida Dantas Barreto.1 A estreita colaboração entre Pelópidas e Arraes, no entanto, os posicionaria no epicentro das tensões políticas que antecederam o golpe militar de 1964.

 

5. O Golpe de 1964 e a Perseguição Política

 

O golpe militar de 2 de abril de 1964 representou uma ruptura abrupta e drástica na vida política e pessoal de Pelópidas Silveira.5 Como um aliado próximo do governador Miguel Arraes, ele foi preso no próprio dia 2 de abril de 1964 1, marcando o fim de seu terceiro mandato como prefeito. A prisão imediata e a cassação de seu mandato, ao lado de Arraes, ilustram a supressão rápida e brutal das forças políticas progressistas pelo regime militar.

O regime militar tentou forçar sua renúncia, mas Pelópidas não aceitou 2, demonstrando sua integridade e inabalável compromisso com os princípios democráticos, mesmo sob duress. No mesmo dia, seu mandato foi cassado pela Câmara de Vereadores do Recife por 20 votos contra 1, declarando seu cargo vago.2 Em 10 de abril de 1964, com a instituição do Ato Institucional Número Um (AI-1), seu mandato foi definitivamente cassado.2 Pelópidas permaneceu preso por cinco meses, sendo libertado apenas em dezembro de 1964.2

A perseguição política não cessou com sua libertação. Em 1965, ele foi aposentado compulsoriamente da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), juntamente com outros seis professores, com seu processo a cargo da Justiça Militar.2 Essa medida, que o impediu de conseguir trabalho e cassou seus direitos políticos por dez anos, revelou a natureza sistemática da perseguição, estendendo-se além da prisão para o ostracismo econômico e profissional, com o objetivo de desmantelar a oposição e controlar a vida pública.5

 

6. Anistia, Retorno e Legado Duradouro

 

Apesar da cassação de seus direitos políticos, Pelópidas Silveira demonstrou uma persistência notável em seu engajamento cívico. Em 1974, mesmo com as restrições impostas pelo regime, ele participou de "alguns entendimentos eleitorais" 5, evidenciando que seu compromisso com a vida pública permanecia intacto.

Com a volta do pluripartidarismo e o processo de Abertura Política no Brasil, Pelópidas filiou-se ao PMDB em 1980.2 No mesmo ano, beneficiado pela Lei da Anistia, foi reintegrado à Universidade Federal de Pernambuco, onde se aposentou novamente no ano seguinte, em 1981.2 A anistia e sua reintegração não foram eventos isolados, mas parte de um processo mais amplo de redemocratização do Brasil, que permitiu o retorno de exilados e a reintegração de perseguidos políticos, marcando um passo significativo para longe do regime autoritário. A partir de 1981, já aposentado da vida pública, Pelópidas dedicou-se à iniciativa privada.2 Ele faleceu em 6 de setembro de 2008, aos 93 anos.2

O legado de Pelópidas Silveira para a capital pernambucana é vasto e duradouro. Ele é famoso por ter dedicado seus mandatos a obras de urbanização, tratando a questão com uma visão "ampla e respeitosa, com um olhar humano e futurista".1 Sua ênfase na gestão participativa, utilizando o Teatro Santa Isabel para reuniões com as camadas mais pobres da população "antes mesmo de se falar em orçamento participativo" 1, e sua visão holística do desenvolvimento urbano, que priorizava as pessoas e a sustentabilidade a longo prazo, demonstram uma abordagem pioneira ao planejamento da cidade. Essa filosofia continua a influenciar discussões urbanas, como evidenciado pela existência do Instituto da Cidade Pelópidas Silveira (ICPS) 6, que se envolve em debates contemporâneos de planejamento urbano, como o do Cais José Estelita.7

Seu filho, Thales Silveira, o descreveu como um pai presente e uma referência intelectual, brincando que ele era "como se ele fosse um Google, mas com coração e emoção".1 Amigos, como Jorge Martins, que conviveu com ele por 55 anos, o consideravam um "sábio, por compreender a sociedade".1 Essas descrições pessoais reforçam a imagem de um líder que combinava intelecto técnico com profunda empatia social. Pelópidas Silveira é, portanto, considerado um prefeito moderno e arrojado, à frente de seu tempo, que marcou história em seus quase cem anos de vida, defendendo a democracia e demonstrando um amor incondicional pelo Recife e pelos serviços prestados a Pernambuco.2

 

Conclusão

 

A trajetória de Pelópidas Silveira é um testemunho notável da interseção entre expertise técnica e compromisso político. Como engenheiro, ele não apenas concebeu projetos, mas os transformou em realidades urbanas que moldaram a paisagem do Recife, como as Avenidas Conde da Boa Vista e Norte, e a modernização do transporte público. Como político, ele demonstrou uma rara capacidade de liderança, não apenas em obras de infraestrutura, mas na promoção de uma gestão pública participativa e socialmente engajada, antecipando conceitos como o orçamento participativo e valorizando a voz da população.

Sua resiliência diante da adversidade, especialmente durante a perseguição política imposta pela ditadura militar, sublinha sua integridade e dedicação inabalável aos ideais democráticos. A capacidade de Pelópidas de construir amplas alianças políticas, transcender barreiras ideológicas e, ao mesmo tempo, enfrentar forte oposição, destaca sua habilidade em navegar por complexos cenários políticos, sempre com o foco no bem-estar da cidade e de seus cidadãos. O legado de Pelópidas Silveira transcende as obras físicas; ele reside em sua visão de um urbanismo humano e futurista e em seu profundo amor pelo Recife, consolidando-o como uma figura indispensável na história de Pernambuco.


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