Pular para o conteúdo principal
Logo do site Pernambuco Imortal
Adicione sua empresa
  • Home
  • Explore
    • Cidades
    • Centros Culturais de Pernambuco
    • Ecoturismo em Pernambuco
    • Igrejas de Pernambuco
    • Museus de Pernambuco
    • Personalidades de Pernambuco
    • Praias de Pernambuco
    • Teatros de Pernambuco
Adicione sua empresa

Francisco Brennand

  • Recife
Image Description
View photos
View photos
Published: November 21, 2023

Francisco Brennand: O Mestre da Argila e o Legado de um Universo Mítico em Pernambuco

I. Introdução: Um Visionário Pernambanucano

Francisco de Paula de Almeida Brennand (11 de junho de 1927 – 19 de dezembro de 2019) foi um artista brasileiro multifacetado, nascido em Recife, Pernambuco, reconhecido como escultor, ceramista, pintor, desenhista e gravador.1 Sua obra é amplamente celebrada, especialmente por suas esculturas cerâmicas inovadoras, que o estabeleceram como uma figura central na arte brasileira e pernambucana.1 Ao longo de sua vida, Brennand dedicou-se à criação de um "mundo mitológico monumental" e de um "mundo de sonho moldado por suas próprias mãos", elementos que se tornaram intrinsecamente ligados às ruínas da antiga fábrica de sua família, situada às margens do Rio Capibaribe, em Recife.2

A relevância de Francisco Brennand para Pernambuco transcende o campo artístico, posicionando-o como uma personalidade icônica cuja arte e legado estão profundamente enraizados na identidade cultural do estado. A conexão do artista com sua terra natal é um aspecto fundamental de sua trajetória. Sua obra está profundamente ligada às ruínas da antiga fábrica de sua família e ao seu local de nascimento em Recife.2 Essa ligação não é meramente um detalhe biográfico; ela aponta para uma união quase inseparável entre o ambiente físico do artista e sua produção criativa. A transformação de um espaço industrial desativado em um vibrante santuário artístico, a Oficina Brennand, demonstra essa conexão direta. Essa relação simbiótica entre o artista e o lugar significa que sua arte não é apenas originária de Pernambuco, mas emana da própria essência do estado, sendo moldada por sua paisagem e cultura. Isso confere à sua história um interesse particular para um site dedicado a personalidades pernambucanas, pois ilustra como um ambiente local pode nutrir uma visão artística de reconhecimento global. A profunda ligação de Brennand com sua terra natal sugere que seu "mundo de sonho" não foi uma fuga da realidade, mas uma reimaginação profunda de sua realidade específica, tornando-o um testemunho da capacidade de um ambiente local de inspirar e moldar uma obra de arte de alcance universal.

II. Raízes e Formação: O Despertar Artístico em Solo Pernambucano

A trajetória artística de Francisco Brennand teve início em um contexto familiar de industriais e proprietários de terras em Pernambuco.4 Seu primeiro contato com as artes plásticas ocorreu na Cerâmica São João, fábrica fundada por seu pai, Ricardo Brennand, em 1917, em Recife.3 A formação formal de Brennand começou em 1940, quando seu pai adquiriu uma coleção de obras de João Peretti. Francisco foi encarregado de supervisionar a restauração dessas peças, trabalho realizado por Álvaro de Amorim, mestre da Escola de Belas Artes do Recife.4 Foi nesse período que Abelardo da Hora (1924-2014), funcionário da Cerâmica São João e também mestre da Escola de Belas Artes, ministrou as primeiras aulas de arte a Brennand.4

Em 1943, Brennand fez sua estreia pública como ilustrador no jornal literário do Colégio Oswaldo Cruz, em Recife, onde estudava ao lado de Debora Vasconcelos, que viria a ser sua esposa, e Ariano Suassuna.4 Em 1946, dedicou-se intensamente à pintura, estudando com Murillo la Greca (1899-1985), um dos fundadores da Escola de Arte do Recife, e estabeleceu seu primeiro estúdio.4 Sua participação em exposições e a conquista de prêmios no Salão do Museu do Estado de Pernambuco, em 1948, o levaram a conhecer o pintor Cícero Dias, que o aconselhou a aprimorar seus estudos em Paris.4

Seguindo o conselho de Cícero Dias, Brennand iniciou em 1949 sua primeira de muitas estadias na Europa. Em Paris, montou um estúdio e tornou-se aluno do pintor e escultor André Lhote, além de Fernand Léger.4 Durante esse período, visitou assiduamente museus e galerias para aprofundar seu conhecimento sobre os mestres europeus.4 Uma exposição de cerâmica de Pablo Picasso, em Paris, em 1949, foi um marco decisivo. Essa mostra transformou sua percepção da cerâmica, que ele, devido à associação familiar com a produção industrial, considerava uma arte menor.4 A abordagem ousada de Picasso, especialmente a aplicação livre de técnicas de pintura a óleo em superfícies cerâmicas, o fascinou.4 Essa experiência, somada à descoberta da obra de Antoni Gaudí em Barcelona, no início dos anos 1950, que utilizava materiais regionais e cerâmica quebrada na arquitetura, consolidou seu interesse pela cerâmica como uma forma de expressão artística.4 Brennand passou a se ver como um pintor que aprendeu a pintar em cerâmica, encarando a argila como um suporte que oferecia a realidade do volume no espaço, evitando o ilusionismo da tela bidimensional.4

As maiores influências de Brennand foram os grandes mestres europeus: Paul Gauguin, que lhe conferiu um "ethos" de criação de uma mitologia própria e a busca por uma autenticidade quase mitológica; Paul Cézanne, que representou o "logos" de um trabalho solitário, laborioso e a busca pela essência plástica das formas; e Vincent Van Gogh, cuja dedicação irrestrita às emoções e ao mundo interior, bem como um elemento trágico, ressoaram profundamente no artista pernambucano.4

A transformação da cerâmica, de uma "arte menor" para o principal meio de expressão de Brennand, é um ponto crucial em sua trajetória. Inicialmente, ele via a cerâmica com certa desvalorização, influenciado pela sua associação com a produção industrial da família.4 No entanto, o contato com as obras de Picasso e Gaudí na Europa mudou completamente sua perspectiva. Essa revalorização não foi apenas pessoal; ela representa um movimento mais amplo na história da arte, onde materiais ou técnicas tradicionalmente considerados "artesanato" são elevados ao patamar das "belas-artes". Brennand não se limitou a usar a cerâmica; ele a legitimou para si e, por extensão, contribuiu significativamente para sua revalorização na arte brasileira. Sua jornada pessoal reflete a quebra de hierarquias entre as formas de arte, um tema recorrente no modernismo.

Além disso, a formação de Brennand demonstra uma notável síntese entre suas raízes locais e as vanguardas globais. Ele iniciou seus estudos com mestres pernambucanos como Abelardo da Hora e Murillo la Greca.4 Contudo, suas influências mais profundas vieram de figuras proeminentes da vanguarda europeia. O que é notável é que Brennand não se restringiu à imitação; ele absorveu as filosofias e técnicas desses mestres, como a abordagem de "obra em progresso" de Cézanne ou a criação de mitologia pessoal de Gauguin, e as reinterpretou dentro de seu próprio contexto. Sua decisão de retornar a Recife e estabelecer sua oficina na antiga fábrica da família, em vez de permanecer na Europa, apesar de sua exposição internacional, é um indicativo dessa síntese.4 Esse percurso artístico encarna uma forma singular de modernismo brasileiro, profundamente enraizada na identidade local, mas globalmente informada. Brennand não foi apenas um receptor de influências europeias; ele as traduziu e reinterpretou através de uma lente pernambucana, resultando em um "padrão pictórico mais saturado e de insolação" distinto.6 Essa abordagem desafia uma visão centralizada do modernismo brasileiro, sugerindo um desenvolvimento mais diverso e regionalmente específico da arte moderna no país.

III. A Oficina Brennand: O Santuário da Criação

A Oficina de Cerâmica Francisco Brennand, um dos mais emblemáticos espaços culturais de Pernambuco, tem suas origens na Cerâmica São João Fábrica de Telhas e Tijolos Refratários, fundada em 1917 por Ricardo Lacerda de Almeida Brennand, pai de Francisco, no bairro da Várzea, Recife.3 A fábrica encerrou suas atividades em 1945. Em 1971, Francisco Brennand empreendeu a notável transformação das ruínas dessa antiga fábrica em seu ateliê-museu, um local que ele concebeu como seu "universo paralelo" e "reino".2 Este espaço tornou-se não apenas seu refúgio pessoal, mas um santuário de arte e cultura, onde ele exibia suas criações e as referências artísticas que o inspiravam.4

A Oficina é hoje um legado artístico de reconhecimento internacional, abrigando uma vasta coleção de aproximadamente 3.000 obras, que incluem esculturas, pinturas e desenhos, distribuídas por uma área de 15.000 metros quadrados.6 Os diversos ambientes da Oficina são frequentemente descritos como "quase mágicos", destacando-se o Templo Central, o Salão de Esculturas, a Accademia, o Estádio e a Capela da Imaculada Conceição.6 Essas obras são povoadas por figuras fantásticas e mitológicas, que servem como um espelho do complexo mundo interior do artista.6 A integração harmoniosa da natureza ao complexo artístico foi concebida pelo renomado paisagista Roberto Burle Marx, responsável pelo projeto dos jardins da Oficina.6 Em 2019, ano do falecimento de Brennand, a Oficina foi oficialmente convertida em museu, solidificando sua importância cultural e tornando-se um destino imperdível para visitantes de Recife, que encontram ali um portal para "outra dimensão".2 A complexidade e as múltiplas camadas do espaço são exploradas em publicações como "No labirinto do sonho – 50 anos da Oficina Francisco Brennand", que oferece análises críticas e acadêmicas, com seções que abordam "A ruína como princípio", evidenciando como a própria decadência da fábrica foi o ponto de partida para sua ressurreição artística.7

A Oficina Brennand transcende a definição convencional de um museu ou ateliê; ela se configura como um organismo vivo e uma obra de arte total. As descrições da Oficina como um "reino", "refúgio", "santuário" e um lugar que transporta os visitantes para "outra dimensão" 2 sublinham sua natureza imersiva. A referência a "A ruína como princípio" 7 sugere que a decadência e a transformação da antiga fábrica foram elementos intrínsecos ao seu renascimento artístico. Não se trata apenas de uma galeria; é um ambiente onde arquitetura, escultura, natureza (os jardins de Burle Marx 6) e o passado industrial se fundem. O fato de a Oficina continuar a produzir arte e gerar renda mesmo após a morte do artista 3 reforça seu status como uma entidade dinâmica e autossustentável. Essa característica eleva a Oficina para além de uma mera coleção de obras, tornando-a uma instalação de arte monumental e contínua que incorpora a filosofia de Brennand sobre a eternidade e a reprodução, expressa em sua crença de que "as coisas são eternas porque se reproduzem".2 É um testemunho da capacidade do artista de transformar um espaço pessoal em um legado público e duradouro, desfazendo as fronteiras entre arte, vida e ambiente.

Essa manifestação da identidade "feudal" de Brennand é evidente na Oficina. O artista se autodenominava "Feudal, supersticioso, pornográfico" 8, explicando o termo "feudal" como uma profunda ligação com uma terra e um lugar específicos, onde sempre viveu e para onde sempre retornou.2 A Oficina, construída sobre as ruínas da fábrica de seu pai 4 e localizada em seu local de nascimento 1, serviu como seu "reino" e "refúgio".2 A decisão de Brennand de permanecer em Recife e desenvolver sua obra ali, apesar de sua formação e exposição internacional 6, é uma prova dessa ligação. A Oficina, portanto, não é apenas um espaço de trabalho, mas uma declaração pessoal e filosófica sobre o enraizamento e o pertencimento. Ela enfatiza como a arte de Brennand era inseparável de sua identidade e de seu ambiente escolhido. Esse aspecto "feudal" sugere uma rejeição consciente às tendências artísticas efêmeras e globalizadas em favor de um universo artístico profundamente localizado e autêntico, tornando sua obra ainda mais significativa para um site focado em personalidades pernambucanas.

IV. O Universo Simbólico: Temas, Filosofias e Provocações

A obra de Francisco Brennand está profundamente enraizada em um universo simbólico complexo, explorando temas de natureza, fecundidade e a condição humana, frequentemente inspirando-se na mitologia greco-romana e no conceito de destino.9 Figuras e lendas como "Leda e o Cisne", Paris e Helena, Agamenon e Édipo são referências constantes em suas criações.9 A fecundidade e a fertilidade são representadas de forma proeminente, muitas vezes através de partes fragmentadas do corpo humano.9 O artista investiga aspectos fundamentais da existência, como a origem, a dor, o sofrimento e o poder do destino.9

A representação do feminino e da sexualidade é um tema central em sua obra, marcada por uma "exacerbação de desenhos que dão vida a 'outro feminino'".10 Suas pinturas frequentemente exibem uma forte carga erótica desde os anos 1960.10 Brennand conectava o elemento sexual em sua arte à natureza e à reprodução, considerando as mulheres como responsáveis pela reprodução e, portanto, ligadas à terra e aos ciclos naturais. Ele afirmava que "esse elemento de sexualidade dentro da minha arte é muito mais voltado para a reprodução do que propriamente para o erotismo".10 A obra também aborda o pecado original e o sofrimento a ele associado, utilizando alegorias para dissimular o poder gerador das mulheres, a "matriz da vida".10 Símbolos específicos permeiam suas criações: os "Pássaros Roca" como guardiões, serpentes como tentação e pelicanos como redenção.9 O Templo dos Sacrifícios, por exemplo, remete a temas pré-colombianos, abrigando uma escultura de Atahualpa, o último imperador inca.9

A filosofia de Brennand é tão intrigante quanto sua arte. Para ele, o forno, elemento central em sua produção cerâmica, não era apenas uma ferramenta, mas um "agente do destino".9 Essa perspectiva se manifesta na sua aceitação de resultados inesperados durante o processo de queima, como a "lágrima" que surgiu no rosto de sua escultura "Lara".9 Essa abordagem sugere uma crença de que nada acontece por acaso, integrando o imprevisto como parte intrínseca da criação. O próprio artista se definia com três palavras: "Feudal, supersticioso, pornográfico".2 A referência "feudal" era justificada por sua profunda e inquebrantável conexão com a terra e o lugar.2

Sobre o termo "pornográfico", Brennand esclarecia que a "pesada carga sexual" em sua escultura não era erótica no sentido convencional, mas sim "primitiva", ligada à reprodução.8 Ele considerava a crítica de uma visitante que descreveu sua oficina como um "museu de horrores, uma carnificina" como a "crítica mais precisa", pois via o nascimento como uma "carnificina" e os atos sexuais como uma forma de "violência".2 Essa perspectiva demonstra que sua obra podia evocar tanto "iluminação" quanto "sentimentos menos gentis".2 Brennand acreditava que "as coisas são eternas porque se reproduzem – a eternidade é reprodução".2

A subversão da "pornografia" em uma declaração filosófica sobre vida e reprodução é um aspecto central da obra de Brennand. Ao se autodenominar "pornográfico" 2, ele utiliza um termo comumente associado a conteúdo sexual explícito. No entanto, ele imediatamente redefine esse termo, ligando o "elemento sexual" à natureza e à reprodução, chamando-o de "matriz da vida" e comparando o nascimento a uma "carnificina" e os atos sexuais a uma "violência".8 Essa é uma distinção significativa de uma definição puramente excitante ou exploradora. Sua arte, portanto, emprega o impacto da "pornografia" para explorar temas filosóficos profundos de origem, ciclos de vida e a natureza crua, por vezes violenta, da criação e da existência. A anedota sobre a senhora que chamou sua oficina de "museu de horrores, uma carnificina" 8, e que ele considerou sua "crítica mais afiada" 2, reforça que sua intenção não era necessariamente a beleza ou o conforto, mas um confronto com verdades fundamentais da existência. Isso posiciona Brennand como um artista que desafia as normas sociais e as interpretações superficiais, usando o visceral para explorar o universal.

O forno como metáfora do destino e do processo artístico é outra dimensão significativa. A afirmação de que o forno não é apenas uma ferramenta, mas um "agente do destino" 9, e a aceitação de resultados inesperados, como a "lágrima" em "Lara" 9, revelam uma metáfora poderosa. O processo de queima na cerâmica é intrinsecamente imprevisível; o calor extremo pode transformar ou destruir. A aceitação e a integração dessas "imperfeições" por Brennand sugerem uma postura filosófica sobre o destino e a renúncia do artista ao controle absoluto. Isso implica um diálogo com o material e as forças da natureza, onde a forma final é uma colaboração entre a intenção do artista e o "destino" conferido pelo forno. Essa perspectiva eleva sua prática cerâmica além da mera habilidade técnica, transformando-a em um profundo engajamento filosófico. Sugere que o próprio processo artístico é uma jornada de descoberta e aceitação do imprevisto, espelhando a experiência humana do destino. Além disso, conecta sua obra a antigas tradições alquímicas, onde a transformação pelo fogo possui um significado místico, enriquecendo ainda mais seu "mundo mitológico".

V. Obras e Reconhecimento: A Marca de Brennand no Mundo

A vasta produção artística de Francisco Brennand e seu reconhecimento em escala nacional e internacional solidificaram sua posição como um dos grandes nomes da arte brasileira. Suas obras públicas e projetos de grande escala são testemunhos de sua visão monumental. Em 1958, ele criou um mural cerâmico de 49m² para o Aeroporto Internacional dos Guararapes, sua primeira grande obra cerâmica instalada em um local público.5 Em 1961, iniciou a produção do mural cerâmico Batalha dos Guararapes, que incorpora poemas de César Leal e Ariano Suassuna, e está localizado na Rua das Flores, em Recife.12 Outras contribuições notáveis incluem o Monumento aos Três Heróis da Restauração, produzido em 1981.12

Um dos projetos mais icônicos de Brennand é o Parque das Esculturas, inaugurado em 2000 no Marco Zero do Recife, como parte do projeto “Eu vi o mundo... Ele começava no Recife”.2 Este parque abriga quase 100 de suas obras, incluindo a imponente Torre de Cristal, com 32 metros de altura, e a Serpente Marinha, de 22 metros de bronze, tornando-se um dos principais cartões-postais da cidade.5 Sua influência se estendeu para além de Pernambuco, com obras como O Gigante Nabuco (2010) para a Academia Brasileira de Letras, no Rio de Janeiro, e Pássaro Rocca (2013) para a estação Trianon-Masp, em São Paulo.12 A obra de Brennand expandiu-se por 13 capitais brasileiras e alcançou reconhecimento internacional, com peças expostas em países como Estados Unidos, Inglaterra, Suíça, França, Portugal, Chile e Peru.6

O reconhecimento de Brennand foi constante ao longo de sua carreira. Em 1947, ele recebeu o primeiro prêmio nos Salões do Museu do Estado de Pernambuco, e em 1950, conquistou o segundo lugar no IX Salão de Pintura de Pernambuco por sua pintura Mamão e Bananas.6 Sua participação em eventos de prestígio como a V Bienal de São Paulo (1959), 11ª Bienal de São Paulo (1971), 18ª Bienal de São Paulo (1985), e sua representação do Brasil na 44ª Bienal de Veneza (1990) atestam sua relevância no cenário artístico.6 Em 1993, a Staatliche Kunsthalle em Berlim realizou uma grande retrospectiva de sua obra.12 Ele foi agraciado com o Prêmio Gabriela Mistral pela Organização dos Estados Americanos (O.E.A.) em 1993, recebido em 1994.11 Em 1994, a Câmara Municipal do Recife concedeu-lhe a Medalha do Mérito José Mariano, e em 1996, a Presidência do Brasil o condecorou com a Ordem do Mérito Cultural na Classe Comendador.11 No mesmo ano, seu nome foi incluído no The Dictionary of Art, publicado na Inglaterra, confirmando seu reconhecimento global.11 Brennand manteve-se produtivo até os 90 anos, realizando sua última exposição, “Névoas de Caspar”, em 2016.11

A arte pública de Brennand funciona como uma ponte vital entre sua mitologia privada e a identidade coletiva. O artista criou um universo mitológico profundamente pessoal dentro dos limites de sua Oficina.2 No entanto, suas principais obras públicas, notadamente o Parque das Esculturas no Marco Zero 2 e o mural do aeroporto 5, traduzem essa visão íntima para espaços acessíveis ao público. O Parque das Esculturas, localizado em um ponto histórico e turístico crucial de Recife, é descrito como "um dos portais para entrar na obra do artista".2 Isso demonstra que sua mitologia, embora enraizada em seu "reino" particular, foi projetada para ser acessível e para dialogar com a identidade e a história coletivas de Pernambuco. A arte pública de Brennand, portanto, serve como um canal crucial, tornando seu complexo mundo simbólico inteligível e visível para um público mais amplo. Ela permite que sua visão única se integre ao tecido urbano e à memória coletiva, solidificando seu status não apenas como artista, mas como um ícone cultural cuja obra define a paisagem de seu estado natal.

A relevância duradoura da obra de Brennand se manifesta através de gerações e geografias. Ele recebeu prêmios no início de sua carreira 11, continuou a produzir e expor até sua morte aos 92 anos 11, e até teve exposições póstumas.11 Suas obras estão espalhadas por diversas capitais brasileiras e internacionalmente.6 Essa longevidade e presença generalizada indicam que seus temas e linguagem artística ressoam além de períodos específicos ou contextos locais. O fato de ter representado o Brasil na Bienal de Veneza 12 e ter uma retrospectiva em Berlim 12 sublinha ainda mais seu apelo internacional e aclamação crítica. A arte de Brennand possui uma qualidade atemporal, abordando temas universais como vida, morte, reprodução e mitologia, que transcendem as fronteiras culturais. Sua capacidade de manter a relevância e obter reconhecimento contínuo ao longo de sua longa carreira e mesmo após seu falecimento sugere uma voz artística poderosa e duradoura que fala à condição humana, tornando-o uma figura significativa na arte moderna global, não apenas brasileira ou pernambucana.

A seguir, uma tabela que sintetiza as principais obras públicas e reconhecimentos de Francisco Brennand:

Tabela 1: Principais Obras Públicas e Reconhecimentos de Francisco Brennand

 

Categoria

Obra/Reconhecimento

Ano(s)

Localização/Detalhes

Obras Públicas Selecionadas

Mural Cerâmico do Aeroporto Internacional dos Guararapes

1958

Recife, PE (49m²) 5

 

Mural Batalha dos Guararapes

1961

Rua das Flores, Recife, PE 12

 

Monumento aos Três Heróis da Restauração

1981

Recife, PE 12

 

Parque das Esculturas

2000

Marco Zero, Recife, PE (inclui Torre de Cristal de 32m e Serpente Marinha de 22m) 2

 

O Gigante Nabuco

2010

Academia Brasileira de Letras, Rio de Janeiro, RJ 12

 

Pássaro Rocca

2013

Estação Trianon-Masp, São Paulo, SP 12

Exposições Notáveis

Salões do Museu do Estado de Pernambuco

1947

Recife, PE (1º Prêmio) 6

 

IX Salão de Pintura de Pernambuco

1950

Recife, PE (2º Lugar por Mamão e Bananas) 11

 

V Bienal de São Paulo

1959

São Paulo, SP 6

 

11ª Bienal de São Paulo

1971

São Paulo, SP 12

 

18ª Bienal de São Paulo

1985

São Paulo, SP 12

 

44ª Bienal de Veneza

1990

Veneza, Itália (Representou o Brasil) 12

 

Retrospectiva na Staatliche Kunsthalle

1993

Berlim, Alemanha 12

 

Brennand Esculturas: o homem e a natureza

2004

Museu Oscar Niemeyer, Curitiba, PR 12

 

Francisco Brennand: Um primitivo entre os modernos

2021-2022

Gomide&Co, São Paulo, SP / Carpintaria, Rio de Janeiro, RJ 12

Prêmios e Honrarias

1º Prêmio, Concurso de Mural Banco do Brasil

1963

Recife, PE 11

 

Prêmio Gabriela Mistral

1993/1994

O.E.A., Washington, EUA 11

 

Medalha do Mérito José Mariano

1994

Câmara Municipal do Recife, PE 11

 

Ordem do Mérito Cultural (Classe Comendador)

1996

Presidência do Brasil 11

 

Inclusão no The Dictionary of Art

1996

Inglaterra 11

VI. Legado e Impacto: A Eternidade de um Sonho

O legado de Francisco Brennand para a arte brasileira e a cultura pernambucana é vasto e multifacetado, transcendendo as fronteiras da mera produção artística. Sua contribuição é descrita como a criação de um "universo artístico único", um "mundo de sonho e perplexidade" e uma "mitologia própria, monumental, que ficará gravada no tempo".2 Um dos pilares de seu impacto foi a revalorização da cerâmica. Ele transformou esse material, que inicialmente considerava "inferior" devido à sua associação com a produção industrial familiar, em seu principal meio de expressão, influenciado decisivamente pela obra de Picasso.2 Além da dimensão estética, a contribuição de Brennand estende-se a "questões humanas e filosóficas" que permeiam sua obra, seus escritos e seu pensamento, consolidando-o como "um dos grandes narradores visuais do Brasil, autor de seu próprio e poderoso mito".6

Além de suas realizações artísticas mais conhecidas, Brennand deixou marcas significativas em áreas menos exploradas. Na década de 1960, ele ilustrou dez "cartilhas de cultura" que foram utilizadas por Paulo Freire em seu inovador processo de alfabetização popular. Essas ilustrações retratavam a flora, a fauna, os trabalhadores e a realidade brasileira de forma "inédita", contribuindo para um método educacional que valorizava a identidade local.2 Outra contribuição notável foi a concepção da ideia de transformar a antiga Casa de Detenção do Recife na atual Casa da Cultura, uma proposta que surgiu durante sua gestão na Casa Civil no primeiro governo de Miguel Arraes (1963-1964).2

O legado de Brennand é perpetuado de maneira prática e contínua. Ele dedicou-se a compartilhar seu conhecimento com oleiros e decoradores especializados na fabricação de azulejos e objetos utilitários.3 Após seu falecimento aos 92 anos, artesãos experientes mantiveram a Cerâmica Brennand ativa, produzindo peças baseadas nas técnicas e iconografia do artista, o que não apenas honra seu trabalho, mas também gera renda para a instituição.3 A Oficina Francisco Brennand, seu "reino" e santuário, permanece como um destino cultural significativo, visitado o ano todo por brasileiros e estrangeiros, solidificando seu lugar na cultura brasileira.3 Seu legado é visto como uma "ponte entre os tempos", deixando um "espaço único, mágico e encantado" que perdurará.2 A decisão de espalhar suas cinzas nas terras de sua oficina simboliza a eternização de sua visão e a crença de que sua obra continuará a "reproduzir sua visão de mundo, um fruto de beleza e maravilha, eternizando assim o mestre".2

A escolha de Brennand de permanecer como artista no Recife, apesar de seus estudos e exposições na Europa, confirma a existência de outros modernismos no Brasil além do movimento paulistocêntrico de 1922. O modernismo pernambucano, em particular, foi impactante devido à sua "insolação e padrão pictórico mais saturado, com a temperatura e as questões de identidade da terra".6 Essa permanência e enraizamento em sua terra natal, a paisagem, a luz do Recife e a própria fábrica, foram cruciais para a forja de uma identidade artística moderna específica de Pernambuco. Essa perspectiva desafia a narrativa monolítica do modernismo brasileiro, destacando a diversidade regional e as contribuições singulares de artistas como Brennand, que cultivaram uma estética distinta enraizada em seu contexto cultural e ambiental específico. Ele é, portanto, não apenas um artista individual, mas uma figura-chave na formação de um movimento artístico regional que contribuiu significativamente para a cena artística nacional.

A perpetuação prática de seu legado artístico através do artesanato e da comunidade é um aspecto notável. O fato de que, após a morte de Brennand, "artesãos experientes mantiveram a Cerâmica Brennand ativa, produzindo peças baseadas nas técnicas e iconografia do artista" 3, vai além da mera preservação museológica. Trata-se de sustentar uma tradição viva e gerar renda para a instituição. Isso representa uma criação ativa e contínua no espírito e na técnica do mestre. O legado de Brennand não é estático ou puramente histórico; é dinâmico e gerador. Ao fomentar uma equipe de artesãos habilidosos e garantir a produção contínua de seu estilo cerâmico, ele estabeleceu um modelo autossustentável para perpetuar sua visão artística. Isso destaca a interseção entre a arte, o artesanato tradicional e a sustentabilidade econômica, criando um modelo único para o patrimônio artístico que beneficia diretamente a comunidade local e garante a contínua "reprodução" de sua visão artística, em consonância com sua própria filosofia.2

VII. O Artista por Ele Mesmo: Percepções e Críticas

A visão de Francisco Brennand sobre sua própria obra e a recepção pública e crítica oferece uma perspectiva íntima de sua persona artística. Ele reconhecia que sua obra em cerâmica era muito mais conhecida do que suas pinturas e desenhos, atribuindo essa proeminência à "admirável moldura" criada em torno de seu mundo cerâmico na Oficina.8 Apesar dessa disparidade de reconhecimento, Brennand afirmava que não se importava em ser definido como ceramista, pois acreditava que só fazia cerâmica porque sabia pintar, considerando-se um pintor que trabalhava em cerâmica, não um ceramista.8 Ele traçava um paralelo com os pintores medievais, questionando se não seriam considerados pintores até que pintassem com óleo em tela.8

Brennand admitia que o sucesso comercial da cerâmica de sua família, que se tornou um "distintivo das residências abastadas do Recife", gerou "ambiguidades" e "mal-entendidos" sobre sua própria riqueza. Ele esclarecia que, embora seus irmãos fossem milionários, ele não o era e "lutava para sobreviver de seu trabalho".8 Expressava irritação quando seu nome era associado a grandes somas de dinheiro gastas por seu primo Ricardo Brennand em arte, como se ele fosse o responsável por tais aquisições.8 O artista referia-se a si mesmo como um "artista renegado" mais em relação à sua pintura do que à sua escultura.8

Ele acreditava que sua escultura havia sido "mal interpretada" devido à sua "pesada carga sexual", que ele esclarecia não ser erótica, mas "primitiva", ligada à reprodução.8 Em uma anedota reveladora, ele contou sobre uma senhora que, ao ver suas cerâmicas, exclamou: "Valha-me, Deus, nossa senhora, estou diante de um museu de horrores, uma carnificina. Espero nunca mais voltar aqui." Brennand considerou essa mulher a "primeira pessoa que soube olhar com precisão para o que eu estava fazendo", pois ele via o nascimento como uma "carnificina" e os atos sexuais como uma forma de "violência".2 Ele reconhecia que era frequentemente chamado de artista "obsceno" ou "pornográfico", mas acreditava que as palavras não eram bem empregadas, embora admitisse estar lidando com um tema que exigia mais cuidado.8

As críticas e posicionamentos de Brennand no mundo da arte eram francos e muitas vezes provocadores. Ele enfatizava que sua obra era "muito contaminada pela literatura" e que "palavras" eram o que o impulsionavam a pintar. Expressava "horror" por obras "sem título" ou com designações genéricas, considerando isso um "orgulho espiritual inacreditável".8 Brennand manifestava abertamente seu desinteresse pela arte conceitual contemporânea, afirmando: "Nada disso me interessa. Eu apenas não perco tempo em olhar para o que não me interessa." Ele preferia a "velha intuição" de criar algo tangível, sugerindo que a arte contemporânea deveria ser chamada de "artes visuais" ou "artefatos" em vez de "artes plásticas" ou "obras de arte".8

Ele criticava os altos valores de mercado de alguns artistas contemporâneos brasileiros, como Beatriz Milhazes, cujas obras ele descrevia como tendo "elementos decorativos" e "circulozinhos redondos se interpenetrando como se fossem bolhas de sabão". Contrastava esses valores com o que considerava "pintores de verdade no Brasil", como Siron Franco, Ismael Caldas e João Câmara, que, em sua opinião, deveriam alcançar tais preços.8 Brennand também esclareceu que sua obra "nada tinha a ver com armorial", movimento associado a seu amigo Ariano Suassuna. Ele afirmava que seu mural "A Batalha dos Guararapes" antecedia o movimento armorial e sugeria que, pictoricamente, ele pode ter influenciado Ariano mais do que o contrário, embora reconhecesse a influência literária de Suassuna. Definia-se como "sexual" em contraste com "armorial".8 Reiterava sua autodefinição: "Feudal. Supersticioso. Pornográfico", explicando "feudal" como uma ligação intrínseca a uma terra e lugar específicos, tendo sempre vivido e retornado para sua casa.2

Brennand se posicionava como um provocador autoconsciente e um redefinidor de termos. Ele não apenas utilizava imagens provocativas, mas também se rotulava com termos como "pornográfico".2 No entanto, ele imediatamente redefinia esses termos, ligando "pornográfico" à reprodução e à "violência" crua da vida e do nascimento, em vez de mera excitação.8 A anedota sobre a crítica da senhora, que ele considerou a "mais afiada" por capturar a natureza visceral de seus temas 2, demonstra que essa não era uma postura acidental, mas uma estratégia deliberada para controlar a narrativa em torno de sua obra e desafiar interpretações superficiais. Brennand, portanto, engajava-se ativamente em um metacomentário sobre sua arte. Ele não estava apenas criando, mas também moldando como sua obra seria percebida, forçando espectadores e críticos a ir além dos rótulos convencionais e a confrontar os fundamentos filosóficos mais profundos e, muitas vezes, desconfortáveis. Isso o posiciona como um artista intelectual que utilizava a linguagem e a autodefinição como partes integrantes de sua expressão artística, exigindo um engajamento mais profundo de seu público.

Essa postura também revela uma tensão entre a pureza artística e o sucesso comercial. Brennand reconhecia o sucesso comercial da cerâmica de sua família, que se tornou um "distintivo das residências abastadas do Recife", mas lamentava as "ambiguidades" e "mal-entendidos" que isso gerou sobre sua própria riqueza, esclarecendo que ele "lutava para sobreviver de seu trabalho".8 Ele também expressava desdém pelos altos valores de mercado da arte contemporânea, contrastando-os com o que ele considerava "pintores de verdade" que não alcançavam tais preços.8 Essa perspectiva evidencia uma luta universal para os artistas: como manter a visão e a integridade artística em um mundo cada vez mais impulsionado pelas forças do mercado. Os comentários de Brennand sugerem uma crítica aos mecanismos de valoração do mercado de arte, implicando que o verdadeiro mérito artístico nem sempre se reflete no sucesso comercial. Isso adiciona uma camada de vulnerabilidade humana à sua persona monumental, mostrando o custo pessoal de seguir um caminho artístico intransigente.

VIII. Conclusão: Francisco Brennand, Uma Personalidade Imortal de Pernambuco

Francisco Brennand deixou um legado artístico que transcende as fronteiras da arte, misturando identidade local com temas universais de forma única e profunda.2 Sua obra é um "mundo de sonho moldado pelas próprias mãos", uma "mitologia monumental" que permanecerá gravada no tempo.2 Ele é descrito como "uma ponte entre os tempos", deixando um "espaço único, mágico e encantado" que perdurará, uma prova de sua capacidade de conectar o passado, o presente e o futuro através de sua visão artística.2 Sua contribuição se estende a "questões humanas e filosóficas", solidificando-o como "um dos grandes narradores visuais do Brasil".6

A Oficina Francisco Brennand, seu "reino" e santuário, permanece como um testemunho vivo de sua visão, continuamente visitada e mantida por artesãos que perpetuam suas técnicas e iconografia.2 A decisão de espalhar suas cinzas nas terras de sua oficina simboliza a eternização de sua visão e a crença de que "as coisas são eternas porque se reproduzem".2 Essa escolha final reforça a ideia de que sua arte e filosofia estão intrinsecamente ligadas ao local que ele transformou.

Brennand pode ser visto como um arquiteto de uma experiência de "arte total". O relatório detalhou como ele transformou uma ruína industrial em um ateliê-museu, parque de esculturas e santuário.2 Ele integrou arquitetura, escultura, pintura e paisagismo, com a colaboração de Roberto Burle Marx 6, em um único ambiente imersivo. Sua obra é descrita como um "mundo de sonho" 2 e um transporte para "outra dimensão".2 Isso sugere um esforço deliberado para criar uma experiência artística abrangente, em vez de apenas peças individuais. A abordagem de Brennand se alinha com o conceito de Gesamtkunstwerk (obra de arte total), onde várias formas de arte são unificadas para criar uma experiência coesa e profunda. Seu legado, portanto, não é apenas uma coleção de objetos, mas um universo inteiro que continua a engajar e inspirar. Essa abordagem holística o torna uma figura única que moldou não apenas a arte, mas também a própria experiência da arte em Pernambuco.

Além disso, Brennand se destaca como um criador de mitos atemporal em um mundo moderno. Sua arte está profundamente enraizada na mitologia greco-romana 9 e ele criou uma "mitologia própria".2 Ele é descrito como "uma ponte entre os tempos" 2 e sua obra aborda "universalidade" e "eternidade".6 Apesar de viver na era moderna e se engajar com mestres modernos, seus temas frequentemente remetem a narrativas primordiais e fundacionais de origem, reprodução e destino. Sua autodefinição "feudal" 2 enfatiza ainda mais uma conexão com antigas formas de ser e pensar. A obra de Brennand demonstra que, mesmo em um mundo em rápida mudança, há um poder duradouro no mito e nas narrativas arquetípicas. Ele teceu com sucesso histórias antigas e experiências humanas universais em uma linguagem artística contemporânea, provando que "o futuro tem um coração antigo".13 Seu legado, portanto, não é apenas sobre o que ele criou, mas como ele criou – ao explorar preocupações humanas atemporais e dar-lhes formas novas e poderosas, tornando-o uma personalidade verdadeiramente imortal.

Francisco Brennand não é apenas um artista, mas uma força cultural que moldou a paisagem artística e o imaginário de Pernambuco. Sua escolha de permanecer e criar em Recife, apesar de sua formação europeia, reforça a riqueza de um modernismo pernambucano distinto.6 Seu legado é uma fusão de arte, filosofia e uma profunda conexão com sua terra natal, tornando-o uma personalidade imortal que continua a inspirar e provocar reflexão, um verdadeiro tesouro de Pernambuco para o mundo.


Deixe o seu Comentário

About text formats

Informações gerais

  • Privacidade
  • Sitemap
  • Cookies
© 2024 PernambucoImortal- Todos os direitos reservados