O devassamento do território onde hoje se localiza o município de Sairé, segundo os nossos mais argutos pesquisadores da história regional, foi em decorrência de um fato sociológico muitoespontâneo à época do desbravamento agrestino. É que partindo da necessidade da abertura de um caminho que encurtasse as longas distâncias percorridas pelos tropeiros que, saindo dos sertões que entremeavam o Ipojuca e Ipanema, faziam o conhecido "roteiro das boiadas" para atingir, assim, o sul e o litoral do estado (então Província de Pernambuco). Como tal caminhada tornava-se penosa para as "tropas de almocreves", os homens de maior visão da época procuraram soluções mais ideais para aquela travessia.
Diante de tão vivo interesse pela nova penetração, caçadores e tropeiros juntaram-se aos ricos fazendeiros da região e iniciaram a abertura de um caminho que, mais tarde, ligaria a povoação de São José dos Bezerros ao sul do estado, passando pela Vila Bonito em demanda àquelas plagas, onde vicejavam ricos canaviais e floresciam os engenhos banguês, a maior riqueza de então. Como o novo roteiro atravessava a zona de "mata rala", hoje conhecida por "caatinga", para depois, numa transição muito natural do Agreste com a Mata, penetrar nas florestas desbravadores passaram logo a denominar de "Boca da Mata" às primeiras daquelas penetrações no referido roteiro. Logicamente que teriam de enveredar-se por aquelas entradas inóspitas, mas, com denodo e ousadia, construíram seus próprios caminhos.
Das primeiras tentativas de penetração presume-se que um dos locais daquele desbravamento ficou conhecido pelo nome de "Boca da Mata", numa alusão à entrada pela mata a dentro, exatamente onde hoje se localiza a cidade do município de Sairé. Daí por diante foram chegando os primeiros povoadores com o fito de explorar as riquíssimas terras existentes na localidade e passaram a fundar as primeiras plantações que, naturalmente, foram a mandioca e a cana-de-açúcar e posteriormente o café e outras culturas agrícolas. Um desses povoadores foi o pioneiro Manoel Flamengo, rico proprietário e residente no sul do Estado, que, em 1859, chegou trazendo carta de posse tirada na Casa Grande de Freixeiras, para fazer a demarcacão de um terreno de 20 alqueires de terras, aproximadamente, situado às margens direita e esquerda do referido caminho, desde o planalto conhecido por Boca da Mata até às margens direita do rio Serinhaém que, por sua vez, acredita-se tenha dado origem ao próprio nomede SAIRÉ pela corruptela Sri-nha-ém em Sai-ra-é e, finalmente Sairé.
Mauricéia, um clarão de vitória
A visão de tua alma produz,
Toda vez que dos cimos da história
Se desenha o teu nome de luz
Tecida de claridade
Recife sonha ao luar
Lendária e heróica cidade,
Plantada à beira do mar.
Mauricéia, um fulgor vive agora
Que da Pátria foi belo fanal
Dezessete! que data e que aurora
Coroando a cidade imortal
E depois, com suprema ousadia,
Uma voz se exalçou senhoril
Vinte e quatro! É daqui que irradia
Nova luz para o céu do Brasil!